Parentalidade Consciente

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O primeiro pensamento que me ocorria, antes da formação, sobre parentalidade consciente, era na minha relação com os meus filhos e apenas isso.

Agora, entendo a parentalidade consciente como a tomada de consciência, em primeiro lugar da minha relação comigo mesma, com a aceitação do meu ser, dos meus atos, o assumir da responsabilidade. O definir das minhas intenções como mãe, como esposa, como filha, mas sobretudo a minha intenção na relação comigo mesma. Não colocar as necessidades e desejos dos outros sempre à frente dos meus. Aprender a dizer não, aprender a abrir o coração. Aprender que não ser o que sempre entendi como mãe perfeita não existe, e está tudo bem. Ser eu mesma, independentemente do que possam pensar, sempre com a consciência da minha intenção.

Em segundo lugar, olhar para os meus filhos e suas necessidades/vontades e imaginar que sou eu com a idade deles. Compreendê-los na sua própria realidade, ouvi-los como quero que me ouçam a mim, abraçá-los quando menos esperam e deixar que as emoções fluam, sejam elas tristeza ou raiva. Poder pedir-lhes desculpa, sem me sentir culpada de não estar a ser a mãe que gostaria, assumir as minhas fraquezas. Mostrar aos meus filhos que o mais importante é o respeito pelo outro, e sei que isso só vai acontecer se se sentirem respeitados. É amá-los mais quando menos esperarem, quando as notas são negativas ou tiveram um comportamento menos positivo, tal como eu, enquanto mãe, mais vezes que as que gostaria.

Em terceiro lugar, olhar para o passado e colocar-me na posição dos meus pais, não como pais, mas eles próprios como filhos, considerando as condicionantes todas, a comunidade que partilhavam, a vivência familiar que experienciaram, e dar-lhes um grande abraço cheio de amor e aceitação. É olhar para os meus pais enquanto pais, e aceitar a sua forma de serem pais, não quer dizer que concorde, que não concordo, mas aceito-o de todo o coração.

Enquanto mãe, assumo muitas falhas, muitos gritos, algumas palmadas, momentos de permissividade em contraste com momentos de autoridade, eu sei, e não é isto que quero como mãe. Quero uma relação de igual valor, quero que me ouçam e quero ouvi-los de todo o coração. A minha intenção é bem clara, apesar de, de vez em quando me afastar, e quando tomo consciência que voltei a falhar, corro a abraçar os meus filhos e a pedir-lhes desculpa, e a dizer a mim mesmo, não era a atitude que querias ter, mas tiveste-a, aceita-a e reforça a tua intenção.

Tal como a consciência que tenho das minhas falhas, também tenho consciência que já melhorei muito, que cada vez estou mais próxima das minhas intenções. E é nisso que me foco todos os dias.

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